MPF critica uso político da Lava Jato

Para procurador, vazamento de supostos depoimentos “não atende ao interesse público”

28 de outubro de 2014 17:43

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Depois de mais de um mês de silêncio total, a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), composta por procuradores da República, voltou a se pronunciar sobre as investigações do mega esquema de lavagem de dinheiro, e criticou abertamente o uso político e eleitoral da operação Lava Jato, cobrando medidas efetivas para apurar os vazamentos de supostos depoimentos prestados por réus.

Conforme o MPF, foi solicitado à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito para descobrir de onde partiu tais informações. “Não estou falando se o conteúdo dos depoimentos é verdadeiro ou não, até porque é um processo sigiloso, mas é um absurdo usar uma investigação que tem natureza policial, jurídica, para sustentar interesses políticos e partidários. Este tipo de vazamento é inadmissível”, reforçou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em entrevista à FOLHA.

A PF ainda não confirma se abriu um procedimento para apurar tais fatos. Na última sexta-feira, a revista Veja trouxe reportagem na qual sustenta que o doleiro Alberto Youssef teria citado, em um de seus depoimentos, os nomes do ex-presidente Lula e da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT), durante questionamentos relacionados aos desvios de recursos na Petrobras. Na mesma edição, a revista divulgou que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) teria recebido R$ 1 milhão do doleiro para sua campanha de 2010. Antes disso, mas também na semana passada, políticos tucanos, entre eles um paranaense natural de Londrina (que não teve o nome divulgado), além do ex-senador já falecido Sérgio Guerra (PSDB-SP), também chegaram a ser vinculados a Youssef.

Há cerca de um mês, ainda no primeiro turno do pleito e um pouco antes do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deixar a carceragem da PF em Curitiba, a mesma revista divulgou supostas informações prestadas pelo engenheiro dando conta de que aproximadamente 25 políticos, entre eles ministros, senadores e deputados federais, estariam envolvidos no esquema de pagamento de propina. Na época a PF chegou a abrir um inquérito para apurar o vazamento, entretanto ainda não há informações de que tenha sido concluído.

“Houve uma tentativa de apropriação da investigação pela agenda político-partidária das eleições e esta situação não atende ao interesse público. Fora que há fatos que não são necessariamente verdadeiros, ou sequer foram provados, ou ainda são usados fora de contexto. Desta forma prejudicam inclusive as futuras ações que temos que tomar”, ressaltou o procurador.

A força-tarefa iniciou seus trabalhos no início de abril e já ofereceu 12 denúncias que se transformaram em ações penais que tramitam na Justiça Federal do Paraná. Dois processos inclusive já tiveram as sentenças proferidas, entretanto, os desdobramentos das investigações ainda estão longe de terminar. “É fácil dizer que a população tem direito à informação, mas o problema é que o nível de partidarização, até mesmo na imprensa, é muito grande. Então um assunto vazava para determinado órgão, outra parte para outro, e nem todos eles, como já disse, são verdadeiros. Para nós isso é um prejuízo quase que irreparável”, criticou.

Via Folha Web

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