Fisiologismo, o mal supremo da nossa política

Por Jonas Tadeu – OS de Itajaí

17 de outubro de 2012 17:15

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Vou apontar, sem medo, o fisiologismo como o pior dos males da nossa política. Fisiologismo é um palavrão. Muitas pessoas escutam ou leem essa palavra sem sequer imaginar o que ela significa. Fisiologismo é o mesmo que clientelismo, outro palavrão. Para ficar mais fácil de entender, bata dizer que o clientelismo ou fisiologismo é irmão gêmeo da corrupção.

Político fisiologista é um oportunista, sem escrúpulos, é alguém que transforma a política num negócio como qualquer outro, ou seja, alguém que aplica no domínio público a regra do “ganhar ou ganhar”. Transformando a política num negócio, o corrupto usa o poder político (que lhe foi dado pelo voto) para negociar, para fazer trocas, para prestar e receber favores. O corrupto clientelista coloca os interesses pessoais (sobretudo o dinheiro) acima de qualquer coisa. Para esse tipo de gente, falar em ideias, coerência partidária, em princípios, ou em valores morais, é falar ‘abobrinhas’. Infelizmente, não são poucos os políticos que se enquadram nessa categoria. Bem comum, coletividade, interesse público são bobagens redondas para o político clientelista/fisiologista.

Não somente políticos, isoladamente, podem ser considerados fisiologistas, também, os partidos políticos podem sofrer desse mal. Um partido político é considerado fisiologista (oportunista), quando rasga seus estatutos, abandona suas bandeiras (se é que isso ainda existe), e resolve apoiar qualquer governo, afrontando a própria ideologia e os próprios conteúdos programáticos. São agremiações incoerentes e aproveitadoras, interessam-lhes apenas os carguinhos e benesses que possam alcançar com essa estratégia.

O fisiologismo, pessoal ou coletivo, é a parte podre das relações políticas. Não é mais possível que continuemos a aceitar, passivamente, esse tipo de comportamento.

Para os que aceitam o princípio maquiavélico de que os fins justificam os meios não custa argumentar que não é possível garantir a governabilidade sem cooptação política. O fisiologista transforma a política num negócio e, então, para ele, passa a ser natural negociar tudo, mesmo as coisas mais infames e sujas.

Muito infelizmente, ainda estamos longe do uso generalizado da ética na política. Ainda estamos num estágio no qual a política é uma prática puramente fisiológica e corporativista, ainda vivemos uma fase na qual os partidos não se apoiam em ideia nenhuma, e assistimos ainda ao triste espetáculo de ver caciques (donos de partidos) se digladiando por interesses puramente pessoais.

Uma das piores consequências do fisiologismo é que ele apaga as fronteiras morais e deixa as pessoas que praticam esse tipo de crime, numa zona cinzenta, e já não sabem mais para quê foram eleitas, ou qual o verdadeiro propósito do seu governo. O político clientelista, viciado nessas práticas do crime organizado, não consegue mais distinguir onde começa esse hábito ruim, nem consegue mais dominar a ânsia egoísta e vazia de acúmulo de poder. Tudo passa a ser lícito.

Os apoios e alianças pré-eleitorais são exemplos práticos e corriqueiros de fisiologismo; é nesse momento que os partidos pequenos e médios aproveitam para garantir os cargos na futura administração. O que dizer de uma Cidade como Itajaí, que conta com cerca de vinte partidos políticos, e apresenta somente três candidatos a prefeito? Não serão as coligações partidárias a prova cabal de que a maioria dos partidos são apenas legendas de aluguel, sem qualquer ideologia, lutando apenas por interesses individuais ou corporativistas?

Via Jornal dos Bairros

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