Entidades de classe se manifestam sobre o encerramento das atividades do Diário

Avaliação geral de representantes é de que a interrupção das edições do jornal guarapuavano representa uma grande perda para o município

21 de outubro de 2014 17:25

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Depois de quase 16 anos de história, o jornal Diário de Guarapuava encerra suas atividades na região com a publicação da edição de hoje, a 3.958. É uma trajetória que se iniciou em 13 de novembro de 1998, com a publicação do primeiro número do jornal.

Entre as entidades de classe guarapuavanas, a constatação é uma só: o fim das atividades do jornal representa uma grande perda para o município e região. “É um veículo de comunicação diário que levava notícias e informações para toda a cidade. Seu fim é uma grande perda”, diz o presidente do Sindicato Rural, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, acrescentando que, antes de qualquer coisa, ele lamenta o ocorrido como cidadão.

Inclusive, Botelho tem acompanhado a rotina do Diário desde o início. “Primeiro, por meio da assinatura do sindicato; depois, como assinante”. Segundo ele, Guarapuava não poderia ficar sem um veículo de comunicação na mídia impressa.

Como integrante do setor agrícola, o presidente destaca a importância da publicação para os leitores oriundos desse estrato. “Semanalmente, tínhamos sempre notícias sobre agricultura, agronegócios, cotação de produtos. Ficaremos órfãos”.

Além de lamentar profundamente o fim do jornal, o presidente do Observatório Social de Guarapuava, José Abel Brina Olivo, enfatiza a perda de um órgão de imprensa que atuava na fiscalização da administração pública. “O fim do jornal é um prejuízo para a democracia e para a transparência. Perdemos mais uma força importante”.

Mais do que isso, para Abel, como é mais conhecido, é um impacto para a história guarapuavana, uma vez que vão se encerrar quase 16 anos de cobertura do cotidiano e dos fatos referentes ao município. “Abre-se um lapso de tempo”.

Abel também observa a questão econômica, pois o Diário gerava empregos diretos e indiretos. “Essas pessoas terão dificuldade de recolocação no mercado de trabalho”, afirma um dos leitores que fazia da publicação guarapuavana sua leitura diária.

História

Ligado à preservação da memória local, o escritor e diretor da Casa Benjamin Teixeira, Murilo Teixeira, destaca a importância que o jornal tem como um veículo que retrata o dia a dia, definindo personagens e personalidades. “Toda comunidade precisa conhecer suas figuras. Cabe ao jornal fazer isso”.

Nesse sentido, Teixeira aponta o jornal como uma fonte permanente de consulta e pesquisa. “Quando preciso saber alguma coisa, vou às páginas dos jornais”. Segundo ele, o jornal registra os fatos do cotidiano que vão se tornar história. Sem esse tipo de fonte de pesquisa, dificilmente seria possível reconstituir os fatos do passado.

Por isso, o imortal, que pertence à Alac (Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná), lamenta com bastante pesar o fim das edições do Diário. Inclusive, Teixeira preserva algumas coleções com exemplares do jornal. “Acompanho desde a época de sua fundação. Vou guardar a última edição, que se tornará histórica”.

Para o presidente da Acig (Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava), Elói Laércio Mamcasz, também pesa a questão da perda da história em relação ao fechamento do periódico guarapuavano. “O que no meu caso considero mais triste é justamente o fato de estarmos perdendo uma sequência de registros da história de Guarapuava, porque o que nos diferencia de todo o ser animal é a capacidade de registrar os nossos momentos e como cidadão a gente perde um mecanismo fundamental de registro físico de uma maneira imparcial como sempre atuou. Essa vai ser uma grande perda”.

Como representante de uma entidade empresarial, Mamcasz lamenta o encerramento de uma empresa que fazia parte da sociedade local, gerando empregos e renda.
O presidente não deixa de observar também a parceria que o jornal tinha com a Acig. “Por exemplo, a parceria junto com o jornal é uma importante ferramenta de consolidação do empreendedorismo feminino”, citando o prêmio Divas, que é entregue anualmente, durante um concorrido jantar, às figuras femininas que se destacam em Guarapuava.

Cultura

Com cobertura semanal do universo cultural, o Diário publicava as notícias relativas ao setor nas edições de fim de semana por meio da editoria EntreTanto.

Nesse sentido, o ex-prefeito do município e atual presidente da Alac, Nivaldo Krüger, vê o fechamento do jornal como uma notícia surpreendente e inadmissível. “Uma cidade em franco desenvolvimento e expansão não pode ficar sem um jornal como o Diário”, acrescentando que o periódico é um veículo importante para o fortalecimento da cultura local. “Fiquei surpreso com a notícia do encerramento e lamento profundamente. É um retrocesso e estagnação para Guarapuava”.

Segundo Krüger, um jornal diário retrata a vida da cidade, pulsando junto com ela. “É um verdadeiro termômetro social”. Por isso, é uma perda significativa.

Solidário com a situação, Krüger diz que, se pudesse, faria de tudo para impedir o fechamento do jornal. “A Delise [Guarienti Almeida, presidente do Grupo Diário] é uma lutadora”.

Parceria

Uma das entidades que estabeleceu parceria ao longo dos anos com o jornal foi o Rotary Club. “Sempre que precisamos, o Diário esteve ao nosso lado, acompanhando as nossas ações de forma brilhante”, explica o governador regional do Distrito 4640, Celso Fracaro.

Não por sinal, ele lamenta com pesar o final da trajetória da publicação. “O jornal é de fundamental importância para Guarapuava, com sua ética e comprometimento, pautando de maneira eficiente e com boas informações”.

Para Fracaro, quem mais perde é a cidade, que fica órfã de um veículo bom, que apresentava notícias atualizadas. “Não esperava tomar conhecimento dessa situação. Não estou contente, de forma alguma”.

Ensino superior

Desde o início, o jornal estabeleceu a cobertura do trabalho desenvolvido pela Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), tanto em Guarapuava quanto em Irati.

Segundo o reitor da universidade, Aldo Nelson Bona, o Diário tinha fundamental importância, levando informação e notícia com credibilidade para toda a população. “Tornou-se parte da rotina do cidadão de Guarapuava e região. Todo o dia em que eu chegava à universidade, a primeira coisa que fazia era bater o olho no jornal para pegar informações. Sem dúvida, um veículo de fundamental importância”.

O reitor partilha da opinião geral de que o jornal vai deixar uma lacuna grande, deixando de noticiar, por exemplo, as ações desenvolvidas pela Unicentro. Por isso, ele agradece pelo trabalho feito até aqui. “Perdemos uma importante fonte de memória, pois o jornal produz uma memória diária, que ao longo do tempo é sempre uma importante referência para a construção do conhecimento histórico”.

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